Condições climáticas favoráveis garantem qualidade à safra de uva
Clima seco vai garantir uma produção até 15% superior
Fonte: Marcelo Beledeli/Jornal do Comércio
Rio Grande do Sul deve colher volume próximo de 614 milhões de quilos neste ano com preços majorados
A safra de uvas de 2011 no Rio Grande do Sul, que se inicia nesta primeira quinzena de janeiro, promete ser uma das melhores dos últimos anos. As condições climáticas favoráveis contribuíram para o desenvolvimento das frutas, garantindo uma produção em maior quantidade e melhor qualidade que em 2010. Além disso, outro fator que também anima os produtores é a expectativa de maiores ganhos neste ano.
Segundo o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), a safra de 2011 deve ultrapassar os 614 milhões de quilos de uvas colhidos, volume 15% maior do que a de 2010, que foi de 534 milhões de quilos. O principal motivo para o melhor desenvolvimento das frutas foi o fenômeno climático La Niña, que ocasiona um menor índice de chuvas na primavera e no verão no Rio Grande do Sul. “Para a uva isso é muito bom, pois ela tem uma maturação melhor e acumula mais açúcares, gerando um produto de melhor qualidade tanto para a indústria de vinhos e sucos quanto para a fabricação de doces ou mesmo o consumo in natura”, explica Diego Bertolini, gerente de Promoção e Marketing do Ibravin.
A melhoria da qualidade das frutas também deve ter efeitos positivos no bolso dos produtores. Em novembro, o preço mínimo, que há quatro anos não era reajustado, teve uma valorização de 13%, passando de R$ 0,46 o quilo para R$ 0,52 o quilo. Embora tenha ficado abaixo dos R$ 0,59 reivindicados, os produtores esperam obter valores maiores nas negociações. “Tendo mais qualidade a uva fica automaticamente mais valorizada. Além disso, a procura das indústrias está muito grande, e com mais competição temos condições de fazer negociações que nos deem mais lucro”, explica Inês Fagherazzi Bettoni, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bento Gonçalves, Monte Belo do Sul e Santa Tereza.
As vinícolas confirmam o interesse em aumentar o volume de frutas compradas para aproveitar a qualidade superior. A Salton, de Bento Gonçalves, projeta receber 24 milhões de quilos de uvas em 2011, quase 50% a mais do que os 16,3 milhões adquiridos em 2010. “Sabemos que a qualidade neste ano será prodigiosa”, afirma Daniel Salton, presidente da empresa. Já a vinícola Perini, de Farroupilha, pretende processar 12 milhões de quilos de uvas neste ano, contra 10 milhões da safra passada. Segundo Benildo Perini, presidente da empresa, os produtores de vinho esperam que a contribuição do clima continue até o final da colheita, em março. “Se não ocorrer um acidente climático, como granizo, devemos ter uma das maiores safras de todos os tempos”, comemora.
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